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Auschwitz: Tudo que você precisa saber

Auschwitz: Tudo que você precisa saber

Tempo de Leitura: 12 minutos

Foi o lugar mais repugnante que eu visitei na minha vida…E olha que já visitei prisão, museu da tortura, senzalas da época da escravidão no Brasil. Mas lá eu tive uma sensação muito esquisita. Realmente, eu não estava preparada para sentir algo assim. E não foi ao ver ou ler, eu digo de sentir mesmo… A energia pesada, o cheiro esquisito, o caminho entre os edifícios e saber que tudo ali foi construído para torturar e exterminar ”um tipo de raça” humana. É realmente sem lógica esse lugar. Até sem lógica ir visitar um lugar desses, se você parar para pensar bem…

Auschwitz Birkenau

O que foi Auschwitz

Difícil uma pessoa não saber, mas foi o maior complexo de campos de concentração e extermínio humano durante a Segunda Guerra Mundial.

Auschwitz é nome em alemão, mas o lugar onde ficam os campos de concentração era na antiga cidade medieval chamada Oświęcim. Inclusive, Oświęcim faz parte de uma região chamada Małopolska, onde tem a cidade do Papa João Paulo II (1920 – 2005), chamada Wadowice: uma vila pequena e calma que tem uma igreja bem bonita no centro. Originalmente, o lugar onde têm os campos de concentração foi construído inicialmente para os presos políticos da Polônia, terminado em maio de 1940. Mas no final das contas, com a invasão dos Nazistas em outubro de 1939, acabou se tornando o alojamento do terror: um lugar onde morreram mais pessoas durante a Segunda Guerra Mundial que as mortes dos britânicos e americanos juntos durante todo esse período.

Tradução: Centenas de prisioneiros e prisioneiros soviéticos da guerra morreram aqui extraindo pedregulho para a expansão do campo. Foram severamente explorados, muitos eram fracos e desnutridos para tal trabalho árduo, outros foram espancado até a morte pelos guardas da SS ou presos Kapos (os prisioneiros que tinham a ordem de serem guardas dos outros presos). Os guardas do SS também matavam por tiro nessa região. – E assim é a entrada em Auschwitz I.

Auschwitz na realidade é um complexo, da qual existe a unidade Auschwitz I, II e III. Sendo a primeira a principal, também conhecida como Stammlager, e a segunda unidade era a maior e também é conhecida como Birkenau, com mais de 40 campos e subcampos. Todos os campos tem uma proteção reforçada de metal da qual davam choques elétricos, além de serem pontiagudos e afiados.

Auschwitz I era composto por 28 prédios, a maioria iguais com capacidade para 700 pessoas cada, porém mais de 1200 dormiam. Lá também tinha o escritório central, o armazém e era onde os presos faziam trabalhos manuais – o que não significa que aqueles que saiam da linha não eram torturados e mortos, mas digamos que era o campo menos ruim.

Em Auschwitz II, em Bierkenau, a situação era mais tensa: existiam prédios de tijolo e de madeira, porém não tinham facilidades sanitárias, aquecedor e muito menos luz. Lá era onde os judeus eram levados diretamente para o extermínio. Nos primeiros meses, só havia água disponível nas barracas, ou seja, os prisioneiros não tinham acesso. Eles ficavam sujos por muito tempo e, pra completar o horror, as barracas eram úmidas e era lotado de piolho e ratos. Portanto, era um ambiente propício a doenças e outras enfermidades. Ainda falando das barracas, os prisioneiros eram obrigados a irem e voltarem do banho pelados, independente de quão frio estava fazendo… E Polônia é frio para p*rra no inverno.

Ainda em Bierkenau, mas no campo III, também conhecido como Monowitz, ficavam os prisioneiros que trabalhavam mais pesado.

Em relação ao trabalho, era tudo bem organizado: durante o verão, acordavam às 4h30 com o primeiro alarme geral, e então tinham que limpar o local. No segundo alarme, já era hora de tentar lavar, fazer as necessidades e tomar o café da manhã. No terceiro alarme, todos teriam que estar em filas com 10 pessoas do lado de fora. Senão… Bom, já imaginam, não é mesmo?

Ah! Durante o inverno, as noites são mais longas, então eles acordavam às 5h30… E não se preocupe: eles tinham direito a 3 refeições por dia! Sim senhores… Com um menu ”sensacional”, veja:

  • Café da manhã: Água quente com um substituto para o café ou chá.
  • Almoço: 1 litro de sopa, com uma variedade ”incrível” de vegetais – batata, nabo, milho, pó de farinha de trigo e extratos. O que era praticamente intragável.
  • Janta: 300g de pão integral, 25g de salsicha e variava o acompanhamento entre manteiga, marmelada ou queijo.

Até março de 1942, basicamente existiam presos poloneses. Em menor quantidade, também haviam alemães, checos e iuguslavos – que na época era composto pela Sérvia, Croácia, Montenegro, Bosnia, Albânia, Macedônia e Hungria. Somente a partir de abril de 1942 que realmente os judeus foram transportados pelos Nazis como ”Solução Final”.

Os judeus eram perseguidos até a morte já que eram os que tinham o ”menor valor de vida”, sempre sendo tratado com muita crueldade. Inclusive, na grande maioria das vezes, eram os judeus que eram presos em celas fechadas e sem janelas, separadas para –literalmente– morrer de fome ou frio, exaustão ao trabalho escravo pesado e, claro, pelas câmaras de gás.

Independente disso, todos os presos eram ”etiquetados” com um número e um símbolo de acordo com algumas categorias, por exemplo:

  • Preso político
  • Homossexual
  • Socialistas
  • Expatriado
  • Criminal
  • Judeus (Tinham um Triângulo Amarelo)

E vocês acham que essas etiquetas eram apenas nas roupas? Ledo engano, a letra da nacionalidade, número de identidade e o triângulo de judeus eram na pele mesmo!

Sala de Médico.

Sabe o que rolava no bloco 10 em Auschwitz? Vários prisioneiros foram vítimas de pseudo experimentos médicos, como: esterilização de homens e mulheres, enfermidade da fome, testes genéticos feitos principalmente em crianças, testes de substâncias tóxicas, hipotermia e choques elétricos.

No Bloco 11 era onde torturavam e matavam os prisioneiros, seja para conseguir informação, para punir por regras violadas ou até mesmo executar experimentos que deram errado do bloco 10. A parte de fora era como um hall da morte, podia ser por tiro, enforcamento, fogo ou tortura. No porão haviam celas minúsculas onde os prisioneiros eram deixados para morrerem asfixiado por falta de oxigenação, fome ou frio.

É muito comum ver a frase ”Arbeit macht frei”, que significa: ” O trabalho te libertará”. Isso era o que os Nazis falavam aos prisioneiros para ”motivarem” os prisioneiros a trabalharem duro. Inclusive, era usado para mulheres, principalmente polonesas e alemãs, para escolherem ”voluntariamente” a serem prostitutas para salvarem as próprias vidas (ou seja: você prefere se prostituir ou morrer?). Isso porque havia uma quantidade grande de homossexuais e todos eram levados para uma sala chamada de ”puff”, da qual eram ”tratados” com prostitutas depois de um longo dia de trabalho.

Tradução: Nesta sala contém fotografia de mais de 1000 das 11 400 crianças que foram deportadas da França. Esses documentos formam parte do Memorial das Crianças Judias Deportadas da França, preparado por Sege Klarsfeld e publicado em 1944 pela Associação dos Filhos e Filhas de Judios Deportados. Esse trabalho é uma extensão do Memorial dos Judeus Deportados da França, publicado em 1978. A legenda de cada fotografia foi feita com detalhes pessoais da criança menor de 18 anos: nome, sobrenome, data e local de nascimento, data e lugar onde foi capturada, data da deportação e número de transporte.

Cerca de 232 mil crianças menores de 18 anos foram deportadas para Auschwitz, incluindo 216 mil judeus, 11 mil ciganos, 3 mil poloneses e mais de mil de outros países como Belorussia, Russos, Ucranianos e outros. Pelo menos 1 milhão de judeus foram assassinados em Auschwitz, sendo que apenas 100 mil foram realmente registrados como prisioneiros. Não menos de 900 mil foram executados diretamente chegando em Auschwitz nas câmeras de gás. Mais ou menos 100 mil vítimas de outras nacionalidades foram mortas nesses campos de concentração. Podemos dizer que a cada 1 de 6 judeus de todo o Holocausto foram assassinados no complexo de Auschwitz entre 1942 a 1945.

E vocês acham que depois de 1945 a história de Auschwitz se acabou? Bom, a URSS liberou os poucos presos famintos que ainda restavam vivos dos campos, já que os nazistas forçaram a maioria para o corredor da morte. Havia várias provas da crueldade que passava ali, porém vários depósitos foram destruídos antes que a URSS chegasse. Encontraram milhares de roupa masculina, mais de 800 mil vestidos e ao redor de 6 500 Kg de cabelo humano e incontáveis sapatos femininos, masculinos e infantis.

O que é Auschwitz hoje em dia

Depois de toda essa tragédia desumana que terminou em 1945, dois anos depois, em 1947, Auschwitz se tornou um Museu. Vocês tem ideia do que é isso? Pois bem, um campo de concentração e extermínio humano foi aberto como museu enquanto ainda se retiravam corpos do local ainda por 10 anos! Você sabia disso?

Honestamente, eu não sabia até então. E o que eu penso sobre isso? Bom, já não basta as atrocidades feitas com essas pessoas que estavam aí, mas transformar em Museu antes mesmo de preparar o local completamente? Eu, com minha humilde opinião, achei falta de respeito com relação às pessoas e familiares – mesmo que não estejam mais presentes. Mesmo hoje em dia, com quadros e fotos, é expor as pessoas que passaram por situações deprimentes e humilhantes não deveria servir como ”o que não devemos fazer de novo”. Por esse motivo, as únicas fotos que você possivelmente vai ver alguns rostos no Blog, são de longe e não é possível reconhecer ou estava refletido em vidros.

Mas, de toda forma, as visitas só vem aumentando a cada ano, e milhares de pessoas querem saber mais sobre o lugar. Independente se é ético ou não tal lugar.

Não consegui entrar nessa unidade: Auschwitz Birkenau. Mas no cantinho da foto dá pra ver um grupo com Guia chegando.

Hoje em dia o complexo se tornou não apenas um museu mas um Patrimônio Mundial. O que me faz pensar que é bem contraditório ter algo que fez tão mal ser um patrimônio… Primeiro o mal por tudo que aconteceu ali feito por nazistas. Segundo porque abriram esse lugar como um museu, na época do comunismo na Polônia, enquanto a URSS ainda tinha poder sobre o país, para mostrar que o outro lado era horrível, porém sabendo que a URSS também não fez muito bem ao país. Ou seja, temos como um patrimônio mundial, um lugar cheio de atrocidades humanas físicas e psicológicas e realmente marcou a história do mundo na época entre o Nazismo Totalitarista e o Stalinismo Totalitarista.

Aliás, várias coisas nesse lugar não faz sentido, como por exemplo a obrigatoriedade de pagar um guia depois das 9 horas da manhã para ter uma visita ao campo sendo guiada em grupo. Eu cheguei bem cedinho, realmente tive que madrugar para ir porque não sou muito do estilo que gosto de um guia, mas porque sabia da história e queria ter minha liberdade para ver o que eu quisesse ver. E isso que eu achei estranho lá, por ser algo tão desprezível e você ser obrigado a ir em grupo para todo lugar. Por ser história do mundo, todos os detalhes do lugar e da época é de fácil acesso para todos, além de filmes e documentários sobre a Segunda Guerra Mundial e tudo que aconteceu há quase 80 anos relacionado a isso. A história não se perde.

Então, acredito que ter essa liberdade de visitar fora de grupos e ser opcional ter guias deveria existir… Mas independente disso, é um lugar de curiosidade comum a todos. Auschwitz é um memorial importante para a história da humanidade, para lembrar de uma época que a tortura era comum, o preconceito tomava conta da Europa e tudo isso deve ser abolido assim como o Nazismo e qualquer ideia Fascista, que gerou milhões de mortes, atos desumanos em uma história muito triste e horripilante de se lembrar.

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Não adianta eu dizer para você ir ou não, acho que é um lugar onde cada um vai passar por experiências únicas. Agora se me perguntarem se eu voltaria? Enquanto tiver a opção de não voltar, não voltaria!

Apenas fui na unidade Auschwitz I, e pra mim foi mais que o suficiente ver e sentir tudo. São 20 edifícios e, se não me engano, quase todos com 2 andares. Cada edifício tem uma exibição diferente, porém todos mostram fatos sobre o que aconteceram por lá. Alguns de forma mais bem produzidas, outras mostrando como era a realidade da época, vários quadros das pessoas que foram registradas lá, algumas provas da crueldade com móveis, roupas, sapatos, óculos, objetos pessoais, as latas de pesticidas usadas nas câmaras e até cabelo das pessoas que morreram nessas câmaras de gás… Realmente é um lugar que tem uma energia bem pesada. Prepare-se.

O Auschwitz-Bierkenau está bem próximo ao Auschwitz I, é possível ir à pé e em poucos minutos chegar lá. Soube que era bem maior e as condições eram piores. Eu só tirei uma foto da entrada, porque é a foto clássica da Auschwitz e é o que geralmente se vê nos filmes. Mas como disse, a primeira unidade já tinha sido suficiente… Acaba sendo grande e você fica horas entre um prédio e outro vendo a mesma coisa… Então, preferi deixar de lado a outra unidade do terror e ir para a linda região de Zakopane! Inclusive, se você quiser saber mais sobre as montanhas da Polônia, clique aqui para saber mais!

Curiosidades

Quer saber de curiosidades sobre esse lugar? Então veremos…

  • Já tomou Aspirina na sua vida? Pois é… o laboratório farmacêutico famoso por criar a Aspirina (Bayer), comprou prisioneiros de Auschwitz para usar como cobaias de pesquisas e experimentos em seus laboratórios.
  • O judeu grego Salamo Arouch sobreviveu sua temporada em Auschwitz por causa dos seus dotes marciais. Nos campos Nazistas existiam campeonatos de Box como entretenimento. Salamo ganhou 200 lutas para se manter vivo.
  • 928 prisioneiros tentaram escapar de Auschwitz, dentre eles 878 homens e 50 mulheres, sendo a grande maioria poloneses – 439 homens e 11 mulheres. Entre tantos, 196 deles conseguiram fugir do campo de concentração e a grande maioria viveu por muitos anos. Porém, 25 deles foram encontrados novamente.
  • O primeiro a escapar foi Tadeusz Wiejowski, em 6 de Julho de 1940. Um companheiro polonês que trabalhava como civil no campo de concentração ajudou a escapar. Porém, poucos anos depois ele foi pego e executado.
  • O soldado polonês Witold Pilecki, também foi um nome importante durante esse período: ele foi para Auschwitz como escolha para não compartilhar mais informações, viu o que passava lá dentro e conseguiu escapar. Só assim foi possível o mundo saber do Holocausto.
  • A fuga de filme foi feita com 4 poloneses que roubaram as fardas nazistas invadindo o escritório da revista nazi. Disfarçados conseguiram pegar armas e roubar o carro deles da própria garagem e chegaram até o governo central com informação. Os nomes desses mitos: Kazimierz Piechowski, Stanisław Gustaw Jaster, Józef Lempart e Eugeniusz Bender.
  • Stanislawa Leszczynska foi uma parteira que deu a luz a em média 3 mil bebês em condições precárias dentro de Auschwitz. Ela inclusive escreveu sobre isso no livro The Report of a Midwife from Auschwitz (O relatório de uma parteira em Auschwitz).

Quer visitar?

Ai. Credo! Boa sorte e vai com Deus.

A maneira mais fácil de chegar é saindo de Cracóvia. Auschwitz fica a 50 Km de Cracóvia, abre às 8h da manhã e até às 9h a entrada é gratuita. A partir das 9h é obrigatório fazer a visita guiada em grupo.

Eu fui de carro porque a cidade fica um pouco longe de Cracóvia e eu ia depois para as montanhas. Além disso, não queria ir com guias e grupo nem pagar para entrar, apesar de abrir às 8h e geralmente tem fila para entrar antes mesmo de abrir e teria que acordar ainda mais cedo para pegar ônibus no centro da cidade.

Mas se você quiser saber e agendar de excursões aos campos desde Cracóvia, eu sugiro o Get Your Guide, além de super confiável e com boas opções de tour, ainda é bem prático e você compra online!

Agora, se você não quiser madrugar mas quer ir por conta própria, pode agendar a sua visita guiada online no site oficial deles clicando aqui. Eu sugiro realmente comprar com antecedência porque eles tem limites de entradas por dia e nem sempre existem guias turísticos em Inglês ou alguma língua que você saiba.


Referências: Discover Cracow, Auschwitz.org


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