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Gastronomia na Hungria: O manual para você provar a cultura

Gastronomia na Hungria: O manual para você provar a cultura

Tempo de Leitura: 9 minutos

O que mais escuto de Brasileiros quando vão à Hungria é sobre o Parlamento, o Castelo e a vida noturna em Budapeste. Realmente são importantes em uma visita à Hungria… Mas você sabe o nome e o que são as comidas típicas de lá? Bom, difícil de escolher com palavras estranhas e a maioria consoante, mas vem comigo que eu vou ensinar você para que aproveite ainda mais sua trip por lá!

Como é a comida húngara?

Antes de começar a falar dos pratos típicos é importante ressaltar sobre alguns pontos principais na culinária para comparação: assim como no Brasil a base é sempre alho e cebola, para os Húngaros seria a páprica! Eles comem tudo com páprica e adoram pimentão vermelho e verde, sendo que existe um tipo que é até suavemente apimentado. Geralmente, como acompanhamento, é muito usado o pepino e o pimentão, e usam mais a carne de porco. Em restaurantes mais típicos, principalmente no interior da Hungria, é muito comum usarem a própria gordura animal (banha) para fazer a comida.

No Brasil fazemos comida, geralmente, com muito sal e açúcar e, muitas vezes, faz com que o nosso paladar sinta a comida na Europa um pouco “sem sabor”. Mas a comida húngara é bem condimentada por causa da páprica, particularmente, acho bem saborosa.

Gulyás

Talvez você esteja mais familiarizado por Goulash Soup! É um prato típico na Hungria mas também se encontra na Áustria, Polônia, República Checa e outros países vizinhos devido a própria história da Hungria (e de todo o império Austro-Húngaro), por tanto muitas comidas húngaras são similares nessa região. Mas pode ter certeza, que a versão húngara sempre terá mais páprica e é considerado símbolo nacional!

Gulyásleve ou apenas Gulyás (se pronuncia ”Guliásh” – sendo ”sh” igual ao ”s” de carioca) é uma sopa com base de tomate temperada com cebola e bastante páprica, com pedaços de carne de panela (porco e vaca), bacon, pimentão verde e batatas.

Assim que se cozinha tradicionalmente! Quer saber a receita?

Traduzindo ao pé da letra, Gulyás significa pastor, e tem esse nome porque desde o século IX era preparado um tipo de ensopado em um caldeirão de ferro da qual deixavam ferver até evaporar toda a água para conservar a carne e o tempero forte em conserva para poder seguir jornada pela Europa afora. Dessa forma, era possível de manter uma comida mais bem condimentada durante a viagem, uma vez que era apenas necessário acrescentar água para poder comer.

Mas o que era uma necessidade na época, lá no século XVIII foi adicionada a páprica na sopa e tornou-se o diferencial e especialidade da Hungria. Uma curiosidade é que os tomates na sopa foram acrescentados já no século XX, e os outros vegetais como batata, cebola e até macarrão, são invenções mais modernas da sopa.

Lecsó

Foto: Glamourous Bite

É um tipo de Ratatouille Húngaro que, às vezes, vêm mais como uma sopa do que um ratatouille, mas depende da época e do restaurante. Se pronuncia ”Lêtcho” (sendo ”tch” igual quando dizemos ”tchau”). A base é de pimentão vermelho, páprica e pimentão verde, geralmente tem um toque suave de pimenta.

Páprikás uborkasaláta

Como o próprio nome, já dá pra imaginar que é uma salada e tem a ver com páprica! É uma salada de pepino, na verdade, temperada com alho e páprica. Os pepinos são cortados em rodelas bem fininhas e coloca o sal e alho por um tempo para pegar o gosto, pouco antes de ser servido que polvilha a páprica por cima.

Geralmente se como como entrada ou acompanhamento.

Como pronuncia? Páprica ubórca salata, com o ”r” na ponta da língua como os Espanhóis.

Csirkepaprikás

Foto: Cookpad

Nada mais é que um frango cozido com alho, cebola e tomate, bem temperado com páprica. É servido com um molho cremoso com base de tomate, páprica e creme de leite.

Geralmente, o mais tradicional vem acompanhado de um macarrão típico de lá, chamado de Nokedli. É estranho o formato, mas é feito com ovo igual qualquer pasta.

Como pronuncia: ”Tchir-quér Páprica”, o ”Tch” com o mesmo som de ”tchau” e o ”r” na ponta da língua como no espanhol.

Kovászos Uborka

Foto: Cookpad

Pode parecer muito estranho quando ler o que realmente é, mas eu te garanto que é muito bom!

É um tipo de conserva de pepinos feita de uma maneira muito peculiar: Eles fazem uma mistura de água com sal e outros ingredientes, colocam o pepino, com pão e alho e fecham bem o vidro, deixando por dias embaixo do sol. A textura do pepino fica como se tivesse sido cozida, o sabor mais azedinho mas bem temperado, a cor fica mais escura.

Geralmente come como aperitivo ou entrada. E se pronuncia: Kovássosh ubórca, com o ”sh” como o ”s” dos cariocas.

Téliszalámi

É intuitivo o nome: salame húngaro. Realmente tem um sabor diferente dos salames que comi em outras regiões, parece ser mais defumado. Muito gostoso e vale muito a pena provar. É excelente como aperitivo, mas também é servido geralmente no café da manhã.

Pronuncia: Télis Salami.

Outros pratos típicos

  • Halászlé ou Sopa do Pescador: é feita como gulyás, num caldeirão à céu aberto, porém com peixes da região. Sendo Baja feito principalemnte de carpa e Szeget feito com uma mistura de quatro peixes.
  • Lángos: é um pão frito da qual varia os toppings, sendo eles geralmente molho de alho, queijo, tejföl (creme de leite) ou até mesmo salsichas.
  • Főzelék: é um caldo de vegetal feito com creme de leite, então fica aquela sopa mais densa mas muito saborosa. E varia de vegetal, tem de vários tipos: batata, ervilha, feijão, lentilha e cenoura.
  • Töltött Káposzta: é um prato geralmente servido ou durante o natal ou páscoa feito de repolho cozido recheado de carne de porco, com molho de páprica.
  • Túrós Csusza: é um prato muito simples, com o macarrão típico húngaro e queijo cottage com bacon e, claro, páprica.

Se a páprica veio das Américas, porque é símbolo nacional da Hungria?

Depois de ler todos esses pratos contendo a famosa páprica, talvez você não saiba mas ela veio das Américas, mais precisamente da região do México. Até o século XV não existia páprica pela Europa, por isso o Gulyás não tinha páprica.

Então, não faz sentido ser produto nacional da Hungria, não é mesmo?

Bom, na verdade, a páprica realmente chegou depois da descoberta das américas e foi levada para a Hungria através dos balcãs, em 1578 e era cultivado pela aristocracia húngara como ornamento porque dá uma flor exótica. Até hoje em dia você pode encontrar na casa das pessoas algumas “guirlandas” de páprica simplesmente porque é bonito.

A páprica só apareceu escrito em 1724 e no século XVIII que realmente ficou sendo mais reconhecido, principalmente porque Szeged, uma cidade na Hungria, era o único lugar fora da Espanha que tinha uma produção boa de páprica na Europa. Logo outra cidade, Kalocsa, seguiu com a produção e o preço começou a ficar mais em conta. Com isso, a primeira receita que apareceu escrito em um livro foi em 1771 e popularizou a ponto de se tornar produto símbolo nacional.

Fatos curiosos:

  • A páprica foi usada como tratamento para cólera em 1831
  • Contém bastante vitamina C.
  • Depois da Segunda Guerra Mundial, os produtores locais foram proibidos de moer a própria páprica, até porque era um produto bom para se exportar e ter câmbios de outras moedas.
  • Existem dois museus da Páprica na Hungria – Szeged Paprika Museum  e  Paprika Molnar.

Doces Húngaros

O mais tradicional é o Kürtőskalács, porém existem várias tortas deliciosas por lá e um chocolate local que valem bem a penas provar!

Kürtőskalács

Foto & História: Vitezkurtos

Essa é, sem dúvida, a sobremesa mais famosa por lá: os canudos enormes doces. Alguns são recheados, outros com coberturas, mas sempre doce, com massa leve mas tipo um pão mais crocante.

Esse doce veio da região de Székely na área da Transilvânia, e era consumida só pela nobreza. Mas se popularizou tanto na Hungria que hoje em dia é um doce de fácil acesso a qualquer um, consumido bastante na Hungria, e que não pode faltar em casamentos, batismos, feira de natal e qualquer evento importante.

Como pronuncia? Essa parece difícil né… Vamos lá:

Curtos- Carlá- tch – o ”tch” no final, não tem ”i”, é só o som como na música ”tchê tchê rê rê tchê tchê”, mas sem o ”ê” no final. E o ”r” como os Espanhóis usam.

Chocolat: Pöttyös Túró Rudi

Foto: IBS

É um bombom delicioso e eu jamais imaginaria que é feito com queijo cottage!

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Isso mesmo, o recheio é de cottage e por fora é chocolate e fica muito bom! Se tiver na Hungria, vale a pena provar nem que seja para uma simples sobremesa!

Tortas Húngaras

  • Dobos Torte: foi criado por József C. Dobos em 1885, feito em camadas com caramelo, chocolate e creme.
  • Somlói Galuska: o favorito dos húngaros – dizem as boas línguas, feita de pão de ló, coberto de chocolate, recheado de nozes e rum com cobertura de chantilly, é uma torta cheia de história. Dizem que foi criado por um garçom que imaginou tal sobremesa, mas só foi realmente produzida a ponto de ganhar um prêmio em Bruxelas na Feira Mundial em 1958.

Bebidas Húngaras

Muita gente não imagina que a Hungria produz vinhos muito bons e que os húngaros também tem a cultura do vinho assim como a Espanha, França e Itália. Porém, é menos conhecido. Mas a bebida famosa mesmo por lá é a pálinka!

Vinhos Húngaros

A Hungria não é tão famosa pelos vinhos porém a região de Tokaj é famosa por ser a região mais antiga a produzir vinho, sendo tombado pela UNESCO como patrimônio mundial. Existem indícios em que se produzia vinho desde a época celta e romana na região, e seguiu sendo cultivada depois da chegada dos magyares na região. A história da Hungria é bem interessante, você pode ver o artigo completo com várias curiosidades em “O que você precisa saber quando viajar para Hungria

Não sou a pessoa mais esperta em vinhos, mas acredito que você pode escolher entre algumas opções mais conhecidas por lá:

  • Vinho Tinto: Kékfrankos, Gere Villányi Syrah, Egri Csillag, Kadarka, Egri Bikavér
  • Vinhos Brancos: Tokaj Furmint, Irsai Olivér, Cserszegi Füszeres, Kreinbacher Juhfark, Laposa Badacsonyi Olaszrizling
  • Vinho de sobremesa: Tokaji Aszú

Fröccs

Vai chegando o verão e beber vinho acaba sendo pesado, então eles tomam Fröccs, uma mistura do vinho branco com água gasosa e fica uma delícia! Geralmente eles utilizam o vinho branco Laposa Badacsonyi Olaszrizling para fazer essa bebida refrescante.

Pronuncia: Frôtch-s, com um ”s” tímido no final.

Pálinka

É a cachaça deles! A base é de frutas, mas não pense que é doce! É igual cachaça, que vem da cana de açúcar mas não é doce… Porém, achei mais fácil de descer que cachaça. A pronúncia é igual se lê: Palinca.

Para eles, Pálinka é considerado a cura para todos os problemas: está gripado? cólicas? dor de cabeça? triste? feliz? Não importa, uma dose é medicamento, em grande quantidade é remédio! É o que eles dizem…

Quer saber como se brinda em Húngaro?

Prepare-se porque a palavra é enorme! Mas calma que você não vai passar vergonha por lá.

Egészségedre = É Gué Chê Guê Dra.

Muito grande né? Eles tem a forma mais curta, porque eles mesmo acham grande: Éguésh (com o tom mais forte no primeiro ”É”)!

Dica de ouro: quando for brindar por lá, não toque ou choque os copos porque pode ser considerado rude. Mas olhar nos olhos na hora do brinde é fundamental!

Isso se deve há uma história antiga! Diz a lenda que na Revolução Húngara de 1848 contra os Habsburgos, a Hungria foi derrotada e treze generais húngaros foram executados. O problema foi que após cada execução, os austríacos celebravam com esse “tin-tin” dos copos de cerveja. Se realmente aconteceu isso, não sabemos, porém é o que se dizem por lá realmente justificando o desgosto e repúdio ao momento histórico do país. Inclusive, se quiser saber mais curiosidades sobre a Hungria, não deixe de ler o artigo “O que você precisa saber antes de viajar para a Hungria“.

Agora que já entrou no clima, só vai! Budapeste é linda, tem muitos turistas, é um destino barato e é uma cidade bem animada. Se quiser ver o interior do país, aconselho ir ao redor do lago Balaton – bem badalado no verão e a água não é fria! Mas existem muitos outros destinos interessantes para incluir no roteiro fora da capital.


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