fbpx
Now Reading
O que você precisa saber quando viajar para a Hungria

O que você precisa saber quando viajar para a Hungria

Tempo de Leitura: 12 minutos

Hungria é aquele país que raras são as pessoas que vão falar qualquer outra cidade além de Budapeste, a capital. Realmente a capital é a mais famosa, principalmente por ser um destino barato e com uma vida noturna bem animada, uma arquitetura interessante e muita história – principalmente da Segunda Guerra Mundial envolvendo o comunismo e a ocupação da URSS!

Mas a Hungria tem muito mais a oferecer… O país já teve um território enorme e tinha certo poder na Europa por bastante tempo na época do Império Austro-Húngaro. O que poucos sabem é que os Magyares – como são originalmente chamados os nativos da Hungria, vieram da Ásia, seu idioma é único e o mais próximo é o finlandês! 

Os Húngaros vieram da Ásia? E o que tem a Finlândia com isso?

Imagine a tribo dos Dothraki em Game of Thrones com uma galera atravessando o continente em seus cavalos. Pois é, não que os húngaros eram tão selvagens assim, mas parte da tribo que ficava nas montanhas de Ural, na Rússia – uma região que é praticamente na Ásia, situada na mesma direção do Cazaquistão – resolveram sair e explorar mundo afora no século V montados em seus cavalos. 

Existem teorias que dizem que outros grupos da mesma região viajaram para outros cantos, parando pela Estônia e Finlândia, portanto, as línguas são derivadas da família Urálica, ou seja, dessa região  de Ural. Por isso que dizem que o finlandês e o húngaro são similares, por possuírem a mesma raiz de idioma. Entretanto, dizem que o Húngaro é a língua mais difícil, possui 44 letras em seu alfabeto e tem uma estrutura complicada para aprender. 

A tribo que foi para a Hungria, atravessou o rio mais longo da Europa, o rio Volgaque fica na Rússia – assim como o maior lago do mundo, o Mar Cáspiotambém situado no leste Europeu, rodeado pela Rússia, Azerbaijão, Irã e Turcomenistão – e foi em direção a região dos Cárpatos, a segunda maior cadeia montanhosa da Europa, fazendo fronteiras com a República Checa, Eslováquia, Polônia, Romênia e Ucrânia. 

Fonte: Info-Budapeste

Pois então, essa tribo resolveu que ali era seu lugar e entre os séculos IX e X lutaram com unhas e dentes sob seus cavalos contra a galera que estava alí. E aos poucos conquistaram a região toda ao redor do rio Danúbio como Reino Húngaro, uma monarquia cristã no século X.

Claro que depois de ocupar e formar o Reinado Húngaro, teve muitas tretas históricas, com guerras e conflitos com os países vizinhos, invasão turca, perdas e ganhos de território. Portanto, lá você vai encontrar a história de diversas culturas entre construções, arquitetura e gastronomia. 

Quando os otomanos (turcos) tomaram a Hungria, levantaram várias construções islâmicas no lado Buda dos quais foram destruídas posteriormente na retomada da Hungria da qual usaram os restos para construir outras coisas na região. Porém, em Pécs é possível ainda ver alguns resquícios dessa época, principalmente porque a tomada da cidade foi tensa, acredita-se que os otomanos botaram fogo na cidade toda e matou quase ou toda a população local, transformando em uma cidade mais oriental-turca e é possível ver ainda muito dessas construções ainda de pé por lá.

Outra cidade interessante para fazer essa viagem no tempo é Eger, uma cidade antiga e que tem um castelo que foi construído depois das invasões dos Tártaros e tem muito dessa época da tomada do Império Otomanos.

Inclusive, a Hungria já teve mar, sabia? O norte da Croácia já pertenceu por um bom tempo à Hungria com um corredor pela Sérvia, chegando a ganhar território da Bósnia, Moldova e até da Itália! E acredite: eles são orgulhosos disso, afinal, o mar adriático – da Croácia – ainda “pertence a Hungria” segundo sua história, e eles se consideram ainda parte dos balcãs. Por um tempo a República Tcheca, parte da Polônia, Romênia e outros países também já fizeram parte do território húngaro. 

A primeira capital do Reino Húngaro foi Esztergom, mas durante o período de Reinado teve várias outras capitais. Contudo foi em Székesfehérvár estabelecida como a cidade real para importantes eventos até quase o século XVI. Outra cidade que vale a pena conhecer é Visegrád, que foi capital entre 1323–1408 e possui um castelo no alto da serra às margens do rio Danúbio no norte do país. 

Com isso de conquistar as terras vizinhas, chegou o momento famoso do Império Austro-Húngaro, da qual Viena era a capital! A Sérvia, Croácia e Bósnia faziam parte do território. Mas depois da Primeira Guerra Mundial, a Hungria ficou pequenininha, perdeu muito território, inclusive seu acesso ao mar. Foi então que as cidades de Buda e Peste se transformaram em Budapeste sendo nomeada como capital do país.

Mas quem diria que uma parte de uma tribo no meio do nada ia passar por tanta coisa, né?

Eles foram os primeiros produtores de vinho?

A Hungria é um dos países mais antigos da Europa, mais antigo que a França e a Alemanha, por exemplo. Existe uma região famosa chamada Tokaj da qual há indícios de produção de vinho desde a época celta e romana, muito antes da França ou Itália começarem a produzir realmente. 

Para saber mais sobre a gastronomia na Hungria, veja o artigo “Gastronomia na Hungria: o manual para provar a cultura” e aproveite as dicas!

As águas da Hungria e além

A região dos Cárpatos – onde está também situada a Hungria, é abundante em água e não apenas superficiais! A Hungria é reconhecida também pelos seus banhos de águas termais não é à toa. O país possui um abastecimento para quase metade da população da Europa pelas águas doce entre rios, lagos, fontes termais e água mineral subterrânea.

As águas termais

Os romanos já aproveitavam dos banhos na região e na invasão turca também foram criados mais banhos termais. No final das contas, se você gosta de um SPA e de águas medicinais, a Hungria é um excelente destino!

View this post on Instagram

Salt hill in Egerszalók

A post shared by Hungary (@hungary_official) on

Só em Budapeste mais de 70 milhões de litros de água termal nasce pela superfície diariamente. O lugar mais famoso e digno de visitar e aproveitar toda a beleza e cura das águas é a Terma de Széchényi – ou como dizem os locais: Szecska (pronuncia: Cétika). Lá tem uma história que vem desde 1868, quando encontraram a fonte de água termal e decidiram fazer um pequeno banho termal que se popularizou e foi se expandindo ao longo dos anos. Em 1997, foi a última reforma realmente significante para o estabelecimento com uma fachada neo-renascentista e muito bonita. Em 2016 melhoraram ainda mais os serviços internos. Atualmente essa terma possui piscinas a céu aberto com água quente, outras piscinas indoor, saunas, várias opções de massagens e tratamentos medicinais com as águas. 

Mas não pense que é “coisa de velho“! Muitos jovens vão para aproveitar o local, principalmente porque tem lugares até para beber cerveja e se deliciar nas águas quentinhas. Vale a pena a experiência, principalmente se você for no inverno ou decidir passar o ano novo por lá!

Mas não é só em Budapeste que você vai encontrar lugares legais para aproveitar as águas termais. Um outro lugar interessante perto de Eger, é o Demjén Thermal Spa and Adventure Park, da qual você vai se sentir dentro de um conto de fadas e se divertir com a decoração da lenda da Caverna de Demjén principalmente no salão do duende rei Kálmos, ou quando você relaxa ao lado de Illangó e Villangó – as duas princesas das fadas. Mas o SPA também tem partes chiquetosas no Hotel com SPA indoor e outdoor e um Parque Aquático com tobogãs e tudo mais.

Outro lugar que é imperdível é o Miskolctapolca Barlangfurdo (Banho na Carverna) por ser construído dentro de uma gruta e ter uma história que vem desde o século XVI, com águas termais por volta de 30 graus e um entorno realmente muito bonito misturando o rústico, o clássico e o moderno. E pra quem curte, pode rolar umas baladinhas nas grutas com águas termais!

Fonte: Página Oficial Miskolctapolca Barlangfurdo

O mar dos húngaros

Mas não é só de Banhos Termais que vivem os húngaros! O famoso lago Balaton é o maior lago da Europa Central, considerado como a praia dos húngaros e nem fica muito longe da capital. Durante o verão é incrível poder aproveitar essa região, cheia de vilas interessantes ao seu redor, algumas vilas históricas com paisagens bonitas e muito verde. 

Na costa norte do lago geralmente é mais tranquilo, onde fica o morro mais alto da região, possui mais lugares interessantes para visitar com mais história, porém a água é mais fria e é o lado mais fundo do lago. Já na costa sul é onde bomba realmente no verão, com vários festivais, gente jovem e a água é mais quentinha porque é a parte mais rasa do lago.

Mas existem alguns lugares imperdíveis ao redor do lago Balaton:

  • Península Tihany: é um lugar realmente romântico, com campos de lavanda, centro histórico, vista realmente de brilhar os olhos.
  • Badacsony: lá você vai poder ter aquela experiência única com vinhos húngaros como Laposa e Szabó.
  • Zamárdi: é o paraíso dos festivais e para os amantes do techno! Lá é que rola o B My Lake Festival, Balaton Sound e o Beach Festival.
  • Keszthely: para quem curte castelo e palácios além da praia! Mas nessa cidade também pode rolar uns festivais de vinho e cerveja.
  • Balatonlelle: o paraíso para as crianças, é a parte mais rasa do lago e possui vários brinquedos para os pequenos se distraírem.

Viajando para a Hungria

Apesar da Hungria faz parte da União Europeia desde 2004, a moeda local é o Forint Húngaro e seu câmbio é bem estranho! Digamos que 1 eurito equivale mais ou menos 355 forints húngaro. É assustador ver que certas coisas podem valer “1000 HUF”, mas na verdade vale menos de 3 EUR. 

See Also
Conheça Budapeste com a Kitty – Budapeste para Brasileiros

O salário mínimo lá é 161.000Ft. o que equivale por volta de €480 e isso diz muito sobre o custo de vida por lá. Claro que em Budapeste, sendo a capital, onde as companhias preferem se estabelecer e acabam movimentando mais a economia da cidade, os preços são mais altos do que se você visitar algumas cidades no interior. Porém, convenhamos, pagar por volta de 30 euros para duas pessoas comerem em um restaurante normal na capital com entrada, prato principal e sobremesa, não é nada mal. 

Muitos húngaros acabam saindo do país em busca de melhores salários, muitos dos que ficam não falam muito bem inglês. Assim como na Polônia, a Hungria também teve uma parcela grande do país comprometida devido a Segunda Guerra Mundial e a tomada pela URSS impondo o comunismo por muitos anos. As pessoas mais velhas podem até saber russo, alguns jovens podem até saber o alemão, mas o inglês você pode ter dificuldades, principalmente fora das zonas mais turísticas. Os húngaros possuem apenas 35% da população que poderia falar alguma língua estrangeira, e não necessariamente inglês, sendo o pior país da UE com relação a aprendizado de alguma língua estrangeira.

Mas não se preocupe porque assim como os poloneses, os húngaros são receptivos e vão querer te ajudar. Nessas horas o Google Translator pode ser a solução dos seus problemas!

Falando em Segunda Guerra Mundial, a Hungria sofreu bastante com a ditadura Soviética impondo o comunismo entre 1945 e 1989. Nessa época, mais de 600 mil húngaros foram forçados a trabalhar no campo, e somente 200 mil voltaram, sem contar os 70 mil que foram presos. Qualquer indivíduo suspeito era alvo e muitos simplesmente “desapareciam”. Muitos viviam com várias famílias juntas em um mesmo quarto, nem sempre a calefação funcionava ou era suficiente, a vida era muito difícil.Os húngaros tentaram sair disso, na Revolução de 1956, da qual era para ter acabado o comunismo com ajuda dos EUA – que não apareceram, consequentemente, o resultado foi bem triste porém foi um momento histórico muito significante para que o país pudesse ser o primeiro a se livrar da URSS. Visitando o Museu do Horror em Budapeste você fica sabendo muito sobre essa época e também de acontecimentos durante a Segunda Guerra Mundial. 

Depois do período do comunismo, a Hungria passou a ter uma política basicamente conservadora ainda que neoliberal. Muitos húngaros são à favor, outros não, e se você encontrar com algum húngaro eles vão querer falar sobre política – mas só eles podem falar sobre corrupção e das coisas ruins do país deles! Acho que nós, Brasileiros, entendemos um pouco disso, não é mesmo?

Porém, a Hungria não é um país muito aberto para a sociedade LGBTQI+ e também pode ser até um pouco racista. Obviamente que eu falo em aspectos gerais, mas o país já mostrou que é contra através das suas próprias leis: aceita união estável apenas para casais de sexos opostos. Transgêneros já não são reconhecidos mais e aceitos na Hungria. Então, a comunidade LGBTQI+ pode ter desafios indo para a Hungria, até porque as leis também moldam a sociedade e mais do que o “não reconhecimento” legal, existe uma pressão e mudança de olhar da sociedade quando realmente algo é imposto por lei e aceito pelo povo. Negros também precisam ficar de olho para não serem julgados incorretamente e podem ter momentos mais desafiadores viajando por lá.

Com relação a segurança, é sempre bom prestar atenção nos “pickpockets” principalmente na capital; ficar de olho no passaporte e carteira quando sair e andar, principalmente em regiões mais desertas. Mas é longe de ser como Rio de Janeiro ou São Paulo. De qualquer forma, é sempre andar em ruas mais movimentadas.

Transporte público funciona bem e é barato, inclusive à noite em horários reduzidos, mas é necessário validar o ticket antes de entrar. Se for em Budapeste, não se esqueça de passear com a Linha 1 de metrô porque além de te levar na Terma Széchenyi e na Praça dos Heróis, é uma viagem ao tempo! Foi a primeira linha de metrô na Europa, construída em 1896.

É muito mais prazeroso para visitar a Hungria fora do inverno, porque o clima acaba não sendo favorável para quem quer andar na rua e apreciar as atividades que são outdoor. Mas ir em uma terma no inverno é uma experiência interessante, sentir a água quentinha e a neve lá fora. Inclusive, algumas termas fazem festa de ano novo, parece bem animado. Fora isso existem vários lugares para patinar no gelo e vários museus e lugares fechados para aproveitar o local mesmo nevando!

Durante o verão sempre tem muitos turistas por lá e é quando acontecem vários festivais, inclusive o mais famoso que fica na ilha de Óbuda no rio Danúbio: Sziget Festival. Inclusive, já teve brasileiros tocando nesse festival, sabia? Sim, os meninos do Walking Samba foram dar um show com nossa música por lá e não foi apenas uma vez!

Agora, vir no meio da primavera é bem bonito porque além da natureza verde e das flores com um clima mais ameno, na Páscoa existe uma tradição no leste europeu de “regar” as mulheres assim como regam as flores, para assim germinar e dar frutos – você entendeu a ideia do germinar e dar frutos, né? Mas geralmente só se vê em cidades do interior, principalmente em Hollókó. Sempre acontece no que eles chamam de “Segunda molhada“, a Segunda Santa.

No outono pode ser uma boa época para visitar lugares em que as folhas estarão laranjinhas como visitar as diversas vinícolas para aproveitar com um climinha excelente uma degustação de vinho, ou simplesmente aproveitar a natureza!


Gostaria de viajar pela Europa e conhecer o melhor vários destinos de acordo com seu perfil de viajante?

  • Eurotrip Nutella: Sua viagem do seu jeito! Uma assessoria completa antes e durante sua viagem para poder aproveitar tranquilo(a) e ao máximo cada minuto na Europa passando por diversos destinos de acordo com seu ritmo.
  • Consultoria Around: Deixa que eu te ajudo no seu planejamento! Não vai passar perrengue buscando informação furada por aí… Se vem para a Europa, as Assessoras de Viagens que moram na Europa e possuem experiência em viagens estarão prontas para te ajudar, revisando seu planejamento e tirando suas dúvidas!
  • Eurotrip Raíz: Se você busca fazer um mochilão pela Europa, bem low-cost e quer fazer tudo por conta própria, veja as melhores dicas de viagem para o planejamento da sua eurotrip para evitar perrengues comuns. Mas saiba que viajar low cost por conta própria e sem conhecimento, é sempre um risco, por isso veja todo o conteúdo do Blog Around Europe e qualquer coisa, pode contar com as assessoras para uma breve consultoria!

View Comments (0)

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Assessoria de Viagem para Brasileiros

Copyright © 2020 | All rights reserved

Scroll To Top